Da inexistente ordem nas coisas
mmaria_silva@hotmail.com
01/02/2004
 
Vale a pena escrever um blog?

Bem, achei que sim e que não. No fundo, não será equivalente a cuspir-mo-nos no vazio de um ecrã? ou talvez não... ou talvez sim, e se sim, porque não?
08/10/2003
 
Preciso de ti?

Não, mas gostava de te encontrar...
27/09/2003
 
Sexo, ou...

não há dar nem receber
apenas sensações,
que fazem fluir os gestos
num corpo
que são dois complementos.

(alguém sabe o que é isto?)
 
Palavras

Palavras, modelos, palavras, sons que se articulam e não preenchem nada... apenas enfeitam o vazio.
O que é afinal a sinceridade? Qualquer acto é expressão de tantas coisas, todas elas reais em mim (pelo menos a vontade de imaginá-las persiste)...
(são só mais palavras, eu sei)

E o que é a sinceridade no Outro?

Não sei o que procuro nos Outros e começo a duvidar que o encontre se com isso me deparar...
(ou será isto só medo? De quê?)
13/09/2003
 
Tristeza

Parece que das bocas só saem arames, enfeites metálicos bonitos mas inúteis.
E eu, que só queria um abraço...
11/09/2003
 
Deus morreu

Deus morreu. Mas a vontade louca de uma certeza que trouxesse, de algum modo, conforto, segurança, não. No fundo, os deuses agora são outros…
Não se espera por Deus para a redenção da existência – anda-se à procura da cara metade. Continuamos a não estar sós – estamos acompanhados por esperanças de moldes diferentes…
Nas rádios, a Paixão é celebrada exaustivamente. Vestimo-nos com a última máscara da moda para podermos entrar na dança da procura… Estranho como uma coisa tão anti-natural como a crença num ser que traga com ele dias de sol mais brilhantes – um ser humano que, ao mesmo tempo que trabalha e lida com as ansiedades subjectivas do seu dia, manifesta carinho, ardor, sensualidade, Tudo, durante um período de tempo que só termina quando a morte os separa – dure e perdure. Uma crença que, em cada namorada e namorado frustrados, em cada ser amargurado porque a relação não o satisfaz, em cada mulher espancada e marido violento, em cada orgasmo fingido, em cada puto disléxico e mal-amado, em cada encornanço cobarde, é contradita, espezinhada, ridicularizada. É fé, no fundo. E talvez tanta angústia só sirva para acreditar com mais força no dia em que uma pessoa nos trará Vida (um ser calculo, vestido de vermelho, qual Pai Natal a oferecer o presente dos nossos sonhos - demência colectiva, como no tempo da caça às Bruxas…).
Vida começa agora, neste instante, eu escrevo, tu lês, respiramos. O que existe para além deste ecran, desta mesa, deste espaço? Existimos, pura e simplesmente, pendurados no vazio e na assignificância disto que é ser consciente.

Ainda bem: a minha Deusa és tu, Maria.

 
Voltei.
21/08/2003
 
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Não posso deixar de saudar o incentivo e a beleza do jazzmorto.
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Uma árvore que cai longe de qualquer sistema perceptivo faz barulho?

No meu caso, humana: uma árvore que cai a ouvir o seu próprio som faz barulho?

Se sim, porque escrevo eu este blog público?
Se não, porque escrevo eu algo tão publicamente inacessível que nem sei se estás aí? Esperança que o remoto seja transposto?

 
...
Ainda não morri. Mas as palavras estão numa pausa até Setembro, interrompida hoje.
...
07/08/2003
 
Tudo passa... outro tudo vem

Caminhamos: há paisagens que ficam para trás, portas que se fecham - e há a tristeza da perda de um tudo sem promessas... Mas o despirmo-nos das roupas que já não nos assentam é também ficar disponível para procurar as cores do amanhã...
No fundo, há portas que têm que se fechar para que outras se abram. Mas a impermanência do hoje persegue-me! É difícil, às vezes, simplesmente continuar - apetecia-me um algo que ficasse ao longo do sempre...
Esse algo sou Eu.
E, às vezes, presentes inesperados acontecem (o Universo a dizer-me olá)...

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